09 January 2008

Niilista




Júlio agora, sentindo vontade de não acordar, desperta na madrugada. O álcool agora é companheiro de noites efusivas. O álcool agora proporciona alguns segundos de puro desespero. Uma luta perdida e lá fora fritam ovos. Cheiro de gordura velha. Aspira angustiado a fome de alguém, que por algum motivo que "foda-se" quer emagrecer. A vizinha que o espreita o tempo todo é mais uma imagem. Descalço, geladeira, água gelada e bocejo.

Se nada acontece aqui, nada acontece lá. Nada acontece sempre, nada acontece agora. E se andar cabisbaixo for sinônimo de fraqueza, Júlio é o Wolverine. Que se não perfura seu chefe com garras de Adamantium, lê bons livros. Que se não estabiliza com auto-confiança perto de algum grupo de pessoas determinadas a salvar o mundo, sabe como destilar mau-humor de forma repugnante.

Agora sentado, a cama já arrumada e o tênis amarrado com um nó. Com uma camisa verde e uma série de pensamentos de como fazer o mesmo de forma irrepreensível – igual. E como todo o minuto soa como o ontem, menos um. Menos um matematicamente. Menos um descrente em você. Está viciado nesta carga obscura, simplista, amoral, sem-vergonha, fudida... vida de merda. Merda de vida.

1 pessoas comentaram este devaneio!:

Lesmadesofá said...

Eu devia cobrar os créditos...
bjs